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Assis de Jesus
by on September 7, 2018
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9 dicas para ter sucesso na criação de camarões de água doce

Os camarões podem ser cultivados em viveiros escavados e atingem o peso ideal para comercialização em até 6 meses Carolina Barros (carolina@sfarming.com.br)

A criação de camarões de água doce é um negócio promissor em regiões distantes do litoral. A espécie cultivada no Brasil é a Macrobrachium rosenbergii, chamada de Camarão da Malásia. “Ela [a espécie] é originária de países tropicais da Ásia, como Malásia, Índia e Vietnã”, conta o pesquisador científico do Instituto de Pesca da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Hélcio Marques.

1 – Qual é o viveiro ideal? O melhor tipo de tanque para criar camarões são viveiros escavados, que são viveiros “naturais”, com fundo de terra. Se o solo for muito permeável, o viveiro pode ser revestido com uma geomembrana para evitar perda de água. É o caso de solos arenosos. Porém, Marques explica que essa condição não é ideal. Os camarões se alimentam de outros animais que vivem desses viveiros. “Está comprovado que esse é um item alimentar importante para eles”, afirma. O criador não deve manter uma grande quantidade de camarões nos viveiros. O número máximo recomendado é dez camarões na fase pós-larva por metro quadrado. “Os camarões de água doce são animais territorialistas, além de serem bastante agressivos entre si”, diz Marques. O tamanho ideal dos viveiros é entre 500 e 5000 metros quadrados de área.

2 – Características ideais para a criação Como no Brasil é cultivado o Camarão da Malásia, que vem de países tropicais, a água precisa estar em temperaturas acima de 20 ºC. Na maioria dos estados brasileiros essa temperatura é registrada durante o ano inteiro. No entanto, para produção na região Sul e no estado de São Paulo, Marques orienta que a criação deve ser realizada somente nos meses mais quentes, de outubro a maio. A água precisa ter pH em torno de 7. “No caso da água ser excessivamente ácida, o pH pode ser corrigido com a adição de calcário dolomítico na quantidade de 100 gramas por metro quadrado”, explica o pesquisador.

3 – Desenvolvimento do camarão Marques conta que essa espécie de camarão não se reproduzem na água doce, apenas crescem nela. “A reprodução e o crescimento das larvas ocorre em água salobra, que é uma mistura de água do mar e do rio”, diz. Por causa disso, a fase em que o camarão ainda é larva e a obtenção de camarões jovens para cultivo é realizada em tanques de água salobra, usualmente em galpões fechados. Esse tipo de estrutura é chamado “Larvicultura”. As larvas se desenvolvem nesses tanques até atingirem a fase de pós-larva, que são os camarões jovens. Eles precisam ser transferidos para o viveiro com água doce, caso contrário morrem. “É nessa fase que os criadores começam o cultivo. Eles adquirem as pós-larvas das larviculturas e as soltam nos viveiros de cultivo nas fazendas, dando início às criações”, afirma o pesquisador.

4 – Como alimentar os camarões? Os camarões são alimentados de forma artificial, com rações. No mercado brasileiro só são comercializadas rações para camarões marinhos e esses produtos são usados também para a criação de camarões de água doce sem problemas. Além disso, estes crustáceos se alimentam também de pequenos animais que crescem no fundo dos viveiros, como larvas de insetos, por exemplo. “O ideal é os camarões se alimentarem desses dois itens, pois ambos complementam suas necessidades nutricionais e fazem os animais crescerem mais rapidamente”, afirma o pesquisador.

5 – Quais são os cuidados especiais? O momento de maior atenção é na hora do povoamento do tanque. Marques explica que o principal predador dos camarões é a larva de libélulas, que ocorrem em grande quantidade nos viveiros. “Por isso, recomenda-se que os viveiros de cultivo sejam enchidos com água no máximo um dia antes da entrada dos camarões, para que não dê tempo das libélulas colocarem seus ovos nos viveiros e as larvas crescerem”, diz. Os camarões precisam chegar ao viveiro antes das larvas de libélulas, para que não sejam o alimento e, sim, o predador. Uma dica para isso é colocar os camarões com os viveiros cheios de água pela metade. “Não precisa esperar o viveiro encher completamente”, conta o pesquisador.

6 – Tempo de criação Os camarões costumam levar de quatro a cinco meses para atingirem o peso comercial, que é de 20 gramas. Isso acontece em tanques com temperatura ideal, onde a água mantenha a temperatura de 25 a 28 °C. Em regiões que registram temperaturas mais frias, com a água abaixo de 25 °C, esse período pode se prolongar e atingir 6 meses.

7 – Como realizar a despesca? O produtor deve passar uma rede no viveiro mensalmente, para capturar uma amostra dos animais e avaliar o crescimento. “Ao contrário dos peixes, normalmente o produtor não enxerga os camarões nos viveiros, pois eles se escondem no fundo, não aparecendo nem para pegar a ração”, conta Marques. Quando a amostra tiver peso médio de 20 gramas é o momento da despesca. Para realizá-la, é preciso baixar o nível de água do viveiro pela metade e passar a rede várias vezes. Isso serve para conseguir retirar o maior número de camarões. Depois desse procedimento, deve secar totalmente o viveiro e retirar os camarões restantes. “É importante sincronizar bem esse tempo para evitar que o viveiro seque totalmente com muitos camarões ainda por retirar, para evitar que estes morram por asfixia”, afirma. Segundo Marques, o criador deve evitar a morte dos camarões no momento da despesca e seguir as recomendações corretas de abate desses animais (leia mais abaixo).

8 – Abate correto e conservação A forma correta de abater camarões é colocá-los em água gelada. “Os camarões devem ser retirados do viveiro ainda vivos, lavados com água doce corrente e clorada e, em seguida, mergulhados na água gelada para que a morte seja instantânea”, explica o pesquisador. Depois do abate, os camarões devem ficar cobertos com gelo e em caixas térmicas até a comercialização. Caso a venda não ocorra em 24 horas, os animais precisam ser congelados inteiros em freezers industriais. O congelamento precisa ser à temperatura de 35 ºC negativos. Regular a temperatura é fundamental para que o congelamento seja rápido. Marques afirma que, uma vez congelados, os camarões podem ser mantidos em freezers domésticos por até um ano, sem perderem as suas características orgânicas.

9 – Policultivo: peixes e camarões juntos O policultivo é um sistema integrado, em que são criados camarões e peixes juntos no viveiro. “É eficiente, desde que realizado com critério”, diz Marques. O pesquisador explica que os melhores resultados de policultivo são conseguidos usando tilápias. Mas o sistema só é recomendado para piscicultores com experiência, que queiram aumentar a renda inserindo o camarão no negócio. “Não recomendamos que os produtores de camarão sem experiência façam o policultivo, pois é um pouco mais complicado e exige um bom conhecimento prévio dos dois sistemas”, afirma. Artigo original do site SF Agro | Farming Brasil: https://sfagro.uol.com.br/9-dicas-para-ter-sucesso...

Posted in: Aquaculture